Saturday, November 5, 2011

O Espasmo

Atrás de um sarcasmo
Atrás de um sorriso
Talvez haja um espasmo
Talvez um aviso...
E se uma gargalhada
Sai de improviso
Talvez seja um aviso
de uma grande piada!
E se num riso
se vê alegria
Talvez escondida
esteja uma melancolia.
Essa face enrugada
Que larga um sorriso
Esconde os traços
de uma falsa alegria.
E agoras ris
depois choras
depois sorris
sem demoras...
Atrás de um sarcasmo
está sempre um espasmo!

Monday, April 25, 2011

virtual

eco estridente
grito lancinante das gentes
numa avenida da liberdade
soltado como um alívio
nos becos, nas ruas da cidade.
As grades de ferro forjado
mudaram esferovite...

depois... depois, vieram
os das vozes contidas
dos silêncios estratégicos
os tais que
não sonham os sonhos
os tais que
sempre enérgicos
fazem o mal...
os tais que
com disfarce liberal
esmagam o que foi,
na aparência, tão natural...
a Liberdade que foi
o grito mal contido
na avenida de nome igual
deu um gemido virtual...

Friday, June 18, 2010

No olhar


No olhar, a visão
traduzida pela teia
do que balanceia
num jogo de escondidas
feito no silêncio discreto
do olhar feito
tão perto e tão distante
dos que não sabem a distância
entre o olhar e o âmago.
No olhar
e no coração, se calhar
se calhar...

Monday, June 7, 2010

Dor na alma



Hoje dói-me a alma
parece que a calma
desapareceu...
acho que foi qualquer
coisa que me doeu
e não passou ainda.
E do que gosto na vida
é a luta por uma causa
que não seja perdida
já, antes de ser.
Faço uma pausa
busco no baú das forças
aquela fonte de energia
que àss vezes nos impele
e faz com que do desânimo
os nervos fiquem à flor da pele...
dói-me a alma e no fundo
quero e desejo a calma.
Há-de aparecer
.

Wednesday, September 2, 2009

Felicidade



Felicidade...
Ah,sim, sou feliz ( diz alguem )
Porque tenho...
Felicidade é o que se quer
Em qualquer idade
Felicidade
ou coisa
de vez em quando...
Momento dourado
Entre momentos
Tormentosos.
Essa palavra felicidade
De vez em quando
Feita de interregnos
apenas um intervalo...
Como um sol que aparece
Quando uma nuvem desvanece
Deixando-lhe raiar a luz.
Felicidade são os teus olhos
A tua meiguice ternurenta
Quando beijas humildemente
A palma da mão, cansada
De um dia de trabalho
E repousas as agruras.
Beijo-te os lábios e já nem notas
Sonolenta que estás, gasta da azáfama
E, de manhã... olho-te feliz
Quando esboças um sorriso calado
Transparecendo amor.

Friday, April 25, 2008

Se me importo?

Se me importo?
Claro que me importo
Direi até
Que me revolto
Com a dor
com a mágoa
dos que pedem água
dos que têm fome
dos que ficam sem terra
por causa da guerra
dos encolhidos
dos envergonhados no estender
da mão...
talvez à procura de pão.
Importo-me com a pobreza
porque é uma tristeza;
importo-me com os dias
que se tornaram nocturnos...
sim, importo-me
com os taciturnos...
claro, que me importo
direi mesmo que me revolto.

Thursday, April 24, 2008

O teu pedido

Ensina-me a fazer poesia!
Diz lá como se faz...
Em que escola aprendeste
A escrever a fantasia?

Fácil ! Pegas na alma
E com toda a calma
Agarras no abecedário
desenhas no papel
A brisa do vento...
Escreves o sentimento
Com um lápis ou pincel
E com dois traços
Dás dois abraços
E dois beijos
Dizes os teus desejos
E verás como é fácil
Sentir a melodia
Na pauta de uma poesia.
Mas, se não tiveres a alma
Nada farás com as letras
Nem sequer sopa de letras
Nem algo de belo...
E se não for poesia
Aquilo feito no escrever
resta-te uma saída:
-volta a nascer...

Wednesday, February 27, 2008

De ombro caído

27 julho 2005

Há dias que nos trazem
falta de ânimo
ao sorriso jovial...
Metido na dúvida
onde encontro a força
energia para lutar?
Respiro fundo
inspiro profundo o ar poluído
relaxo de ombro caído...
Cogitando
vou respirando
procurando o ânimo
que combate o obstáculo
e retira o sorriso jovial.
Inspiro profundo
mais uma vez
relaxo de ombro caído
em busca do jovial
o sorriso...

O ar e o vento


Há mais olhar
no olhar de um poeta...
mais do que sentimento,
consegue ver o vento
apalpando o ar
e vê movimento
em coisas paradas
sente e se quiser
consegue agarrar
até mesmo conversar
com as nuvens distantes, dispersas ...
ouvindo sons das ramas
de árvores bailarinas
em calmo batimento,
o poeta, sente
faz conversa com a água do ribeiro
que se esvai sem destino
sem perceber o código
do mistério nuclear
encerrado na energia
estranha, inexplicável...

Tuesday, November 27, 2007

Pena essencial

O que escrevo fica
no branco do papel
onde olhei no vácuo o essencial.
E ao correr da pena
solto uma pena
de alma penada...
De uma só penada
solto esta pena
fico sem pena
de soltar ao correr da pena
a ideia essencial.
Sim fico sem mais uma pena
Que pena!...


Sunday, September 16, 2007

Olha o passarinho


(reposição)
Eu?
Eu não sei dizer adeus…
Eu quando vou não volto
Um dia disse adeus a um desamor
Deixei-o numa esquina
Fiquei-me com a dor
E não olhei para trás.
Não sei!
Não sou capaz
Porque obra que começo
Acabo...
Não sou de querer
E não querer
Sou de querer
De não parecer
Do autêntico e do franco
Não dou o flanco
Mesmo que fique branco
Só para agradar
Ou para sorrir no retrato
Sim, não creio que o sorriso
Fique natural
“olha o passarinho...”
Não sei dizer dizer adeus
Quando vou não volto
Vou, sigo, procuro
Outro caminho.

Tuesday, April 24, 2007

anti-autismo

Dizer por palavras
O que rói no pensamento
Não fazer segredos
Da ideia refugiada...
contando essa ideia
sem medo do garrote
ou receio da palmatória
contar a história, contar a ideia...
e, quantas vezes foi escuro
a escrita feita prelo
sem motivo
feita escrava
de tanto zelo, de tanto zelo...
e, assim, feita “autista”
ficou rouca , capada dos ouvidos;
mas, tudo mudou com afinco
naquela noite
de vinte e quatro
para vinte cinco...

Thursday, March 29, 2007

conto de cordel

Que fiz eu do papel?
Onde puz eu a pena?
Que pena!...
Guardei a folha ou esqueci
A caneta tambem perdi
E sem saber da caneta
Até pareço um maneta
Quando não sei do papel...
Que pena!...
Aquele escrito que se perdeu
Falhado já na memória
Ou aquele conto de cordel
Perdeu-se...
Tudo porque nem sequer me lembro
Onde puz o papel...

Tuesday, April 25, 2006

Abril

De Abril feito

De Abril feito e aprendido
Da liberdade, desprevenido,
rasgou-se o adesivo
a cola das palavras...
hoje fazem-te esquecido
do momento da euforia
mas, sou como cão a quem se tira trela
e corre desalmado...
Até mesmo o pulmão
Se encheu de outro ar

o céu que não era azul
a noite negra e feia que se foi
disse adeus ao papão
foi um ar que lhe deu...
Abril que te querem esquecido
Feito de pensamento bravo
Foi manso sem arma, vivido
Venceu, apenas, com um cravo...

Tuesday, December 27, 2005

Este natal...


O gesto pontual

Deste se faz lembrança
A esmola lógica deste dia
Simulando a festança
Que nunca foi banquete...
Parece, fica tão bem
Armar à caridade
Puxar da nota e mostrar
Que se tem sensibilidade
Apenas para aliviar
A dor num gesto pontual.
Numa caixa de cartão
Pesa num leito duro
Uma massa-gente encravada
numa portada
Ou num vão de escada
Como se fosse um lar...
único possível lar.
Com relutância indisfarçada
Olha-se de esguelha
a realidade não aliviada.
Jaz na dureza da pedra
a impotência descarada
de uma vida destroçada
sem horizonte de natal...
E amanhã...
-dê-me uma moedinha...

Saturday, November 12, 2005

Que se lixe



Estava tudo escrito
No pensamento…
Aquele poema do momento
Que não rascunhei
Por preguiça.
Foi-se...
E gostei
Do que pensei
Não fiz o rascunho
Por preguiça não guardei
Que se lixe!
Daqui a pouco
Lembrar-me-ei
E escreverei
Como é que o vento fala
Ou como a noite
Cumprimenta o dia...

Friday, October 28, 2005

Branca

Olho-te e vejo-te
Sempre estática
Rectangular e horizontal
Branca e vazia
Sem saberes como
Vais ser ultrajada.
Pode ser que sejas
Maltratada
Ou, quem sabe,
Peça de arte...
E, como sabes,
Conversa à parte,
Somos sempre um monólogo
Construído de revolta.
Mas, tu, sempre receptiva
Aceitas a missiva
Ou o disparate...
Estática e calma
Sem marca de àgua
Aceitas uma alegria
Ou uma mágoa...
Sempre paciente e mágica
Branca de alvura feita
Deixas-te riscar
Meigamente
Ou de forma trágica
recebes submissa
a história de cordel
ou o poema ...
Tu, folha de papel.

Wednesday, July 27, 2005

Neurónios maternais

Já passou um mês...
e não houve escrita
no verso, forma bendita.
O poema estava lá
em stand by
talvez à espera de um ai
que o soltasse do recôndito
escondido, onde, como ave
guardiã do ninho, protege
os depenados loucamente...
eles, os versos, estão lá
embrulhados e guardados
nos neurónios maternais
à espera do primeiro vôo...

Thursday, May 12, 2005

A razão



Tu que me lês
julgas que quero fama?
Não! O que eu digo
É que quero muito
Sonhar na minha cama.
Verdade!
Tu que me lês
Nem sabes como sou
Não sabes o que dou
Sem olhar a recompensas...
E tu que me lês
À espera do fim
Deste poema
Não sabes sequer
Dizer qual foi, no principio,
A razão deste poema.

Thursday, March 17, 2005

A rosa na prosa

Ouvi dizer um dia
A fraco desconhecido
Que um poeta sempre é
Escritor de segunda linha.
A ideia que ele tinha
Daquele que risca verso
é de não ser capaz
De pôr em prosa
história completa
com cem folhas...
Sentimento perverso
Por escrever em verso!
Ao meditar nisto,
Ainda hoje penso
Que esse infeliz
Na mente tem um "quisto"
Por não saber
Que se pode riscar
Num verso, uma rosa
E encher de flores
Um texto feito em prosa...