Thursday, March 29, 2007

conto de cordel

Que fiz eu do papel?
Onde puz eu a pena?
Que pena!...
Guardei a folha ou esqueci
A caneta tambem perdi
E sem saber da caneta
Até pareço um maneta
Quando não sei do papel...
Que pena!...
Aquele escrito que se perdeu
Falhado já na memória
Ou aquele conto de cordel
Perdeu-se...
Tudo porque nem sequer me lembro
Onde puz o papel...

Tuesday, April 25, 2006

Abril

De Abril feito

De Abril feito e aprendido
Da liberdade, desprevenido,
rasgou-se o adesivo
a cola das palavras...
hoje fazem-te esquecido
do momento da euforia
mas, sou como cão a quem se tira trela
e corre desalmado...
Até mesmo o pulmão
Se encheu de outro ar

o céu que não era azul
a noite negra e feia que se foi
disse adeus ao papão
foi um ar que lhe deu...
Abril que te querem esquecido
Feito de pensamento bravo
Foi manso sem arma, vivido
Venceu, apenas, com um cravo...

Tuesday, December 27, 2005

Este natal...


O gesto pontual

Deste se faz lembrança
A esmola lógica deste dia
Simulando a festança
Que nunca foi banquete...
Parece, fica tão bem
Armar à caridade
Puxar da nota e mostrar
Que se tem sensibilidade
Apenas para aliviar
A dor num gesto pontual.
Numa caixa de cartão
Pesa num leito duro
Uma massa-gente encravada
numa portada
Ou num vão de escada
Como se fosse um lar...
único possível lar.
Com relutância indisfarçada
Olha-se de esguelha
a realidade não aliviada.
Jaz na dureza da pedra
a impotência descarada
de uma vida destroçada
sem horizonte de natal...
E amanhã...
-dê-me uma moedinha...

Saturday, November 12, 2005

Que se lixe



Estava tudo escrito
No pensamento…
Aquele poema do momento
Que não rascunhei
Por preguiça.
Foi-se...
E gostei
Do que pensei
Não fiz o rascunho
Por preguiça não guardei
Que se lixe!
Daqui a pouco
Lembrar-me-ei
E escreverei
Como é que o vento fala
Ou como a noite
Cumprimenta o dia...

Friday, October 28, 2005

Branca

Olho-te e vejo-te
Sempre estática
Rectangular e horizontal
Branca e vazia
Sem saberes como
Vais ser ultrajada.
Pode ser que sejas
Maltratada
Ou, quem sabe,
Peça de arte...
E, como sabes,
Conversa à parte,
Somos sempre um monólogo
Construído de revolta.
Mas, tu, sempre receptiva
Aceitas a missiva
Ou o disparate...
Estática e calma
Sem marca de àgua
Aceitas uma alegria
Ou uma mágoa...
Sempre paciente e mágica
Branca de alvura feita
Deixas-te riscar
Meigamente
Ou de forma trágica
recebes submissa
a história de cordel
ou o poema ...
Tu, folha de papel.

Wednesday, July 27, 2005

Neurónios maternais

Já passou um mês...
e não houve escrita
no verso, forma bendita.
O poema estava lá
em stand by
talvez à espera de um ai
que o soltasse do recôndito
escondido, onde, como ave
guardiã do ninho, protege
os depenados loucamente...
eles, os versos, estão lá
embrulhados e guardados
nos neurónios maternais
à espera do primeiro vôo...

Thursday, May 12, 2005

A razão



Tu que me lês
julgas que quero fama?
Não! O que eu digo
É que quero muito
Sonhar na minha cama.
Verdade!
Tu que me lês
Nem sabes como sou
Não sabes o que dou
Sem olhar a recompensas...
E tu que me lês
À espera do fim
Deste poema
Não sabes sequer
Dizer qual foi, no principio,
A razão deste poema.