Tuesday, November 27, 2007

Pena essencial

O que escrevo fica
no branco do papel
onde olhei no vácuo o essencial.
E ao correr da pena
solto uma pena
de alma penada...
De uma só penada
solto esta pena
fico sem pena
de soltar ao correr da pena
a ideia essencial.
Sim fico sem mais uma pena
Que pena!...


Sunday, September 16, 2007

Olha o passarinho


(reposição)
Eu?
Eu não sei dizer adeus…
Eu quando vou não volto
Um dia disse adeus a um desamor
Deixei-o numa esquina
Fiquei-me com a dor
E não olhei para trás.
Não sei!
Não sou capaz
Porque obra que começo
Acabo...
Não sou de querer
E não querer
Sou de querer
De não parecer
Do autêntico e do franco
Não dou o flanco
Mesmo que fique branco
Só para agradar
Ou para sorrir no retrato
Sim, não creio que o sorriso
Fique natural
“olha o passarinho...”
Não sei dizer dizer adeus
Quando vou não volto
Vou, sigo, procuro
Outro caminho.

Tuesday, April 24, 2007

anti-autismo

Dizer por palavras
O que rói no pensamento
Não fazer segredos
Da ideia refugiada...
contando essa ideia
sem medo do garrote
ou receio da palmatória
contar a história, contar a ideia...
e, quantas vezes foi escuro
a escrita feita prelo
sem motivo
feita escrava
de tanto zelo, de tanto zelo...
e, assim, feita “autista”
ficou rouca , capada dos ouvidos;
mas, tudo mudou com afinco
naquela noite
de vinte e quatro
para vinte cinco...

Thursday, March 29, 2007

conto de cordel

Que fiz eu do papel?
Onde puz eu a pena?
Que pena!...
Guardei a folha ou esqueci
A caneta tambem perdi
E sem saber da caneta
Até pareço um maneta
Quando não sei do papel...
Que pena!...
Aquele escrito que se perdeu
Falhado já na memória
Ou aquele conto de cordel
Perdeu-se...
Tudo porque nem sequer me lembro
Onde puz o papel...

Tuesday, April 25, 2006

Abril

De Abril feito

De Abril feito e aprendido
Da liberdade, desprevenido,
rasgou-se o adesivo
a cola das palavras...
hoje fazem-te esquecido
do momento da euforia
mas, sou como cão a quem se tira trela
e corre desalmado...
Até mesmo o pulmão
Se encheu de outro ar

o céu que não era azul
a noite negra e feia que se foi
disse adeus ao papão
foi um ar que lhe deu...
Abril que te querem esquecido
Feito de pensamento bravo
Foi manso sem arma, vivido
Venceu, apenas, com um cravo...

Tuesday, December 27, 2005

Este natal...


O gesto pontual

Deste se faz lembrança
A esmola lógica deste dia
Simulando a festança
Que nunca foi banquete...
Parece, fica tão bem
Armar à caridade
Puxar da nota e mostrar
Que se tem sensibilidade
Apenas para aliviar
A dor num gesto pontual.
Numa caixa de cartão
Pesa num leito duro
Uma massa-gente encravada
numa portada
Ou num vão de escada
Como se fosse um lar...
único possível lar.
Com relutância indisfarçada
Olha-se de esguelha
a realidade não aliviada.
Jaz na dureza da pedra
a impotência descarada
de uma vida destroçada
sem horizonte de natal...
E amanhã...
-dê-me uma moedinha...

Saturday, November 12, 2005

Que se lixe



Estava tudo escrito
No pensamento…
Aquele poema do momento
Que não rascunhei
Por preguiça.
Foi-se...
E gostei
Do que pensei
Não fiz o rascunho
Por preguiça não guardei
Que se lixe!
Daqui a pouco
Lembrar-me-ei
E escreverei
Como é que o vento fala
Ou como a noite
Cumprimenta o dia...