Thursday, April 24, 2008

O teu pedido

Ensina-me a fazer poesia!
Diz lá como se faz...
Em que escola aprendeste
A escrever a fantasia?

Fácil ! Pegas na alma
E com toda a calma
Agarras no abecedário
desenhas no papel
A brisa do vento...
Escreves o sentimento
Com um lápis ou pincel
E com dois traços
Dás dois abraços
E dois beijos
Dizes os teus desejos
E verás como é fácil
Sentir a melodia
Na pauta de uma poesia.
Mas, se não tiveres a alma
Nada farás com as letras
Nem sequer sopa de letras
Nem algo de belo...
E se não for poesia
Aquilo feito no escrever
resta-te uma saída:
-volta a nascer...

Wednesday, February 27, 2008

De ombro caído

27 julho 2005

Há dias que nos trazem
falta de ânimo
ao sorriso jovial...
Metido na dúvida
onde encontro a força
energia para lutar?
Respiro fundo
inspiro profundo o ar poluído
relaxo de ombro caído...
Cogitando
vou respirando
procurando o ânimo
que combate o obstáculo
e retira o sorriso jovial.
Inspiro profundo
mais uma vez
relaxo de ombro caído
em busca do jovial
o sorriso...

O ar e o vento


Há mais olhar
no olhar de um poeta...
mais do que sentimento,
consegue ver o vento
apalpando o ar
e vê movimento
em coisas paradas
sente e se quiser
consegue agarrar
até mesmo conversar
com as nuvens distantes, dispersas ...
ouvindo sons das ramas
de árvores bailarinas
em calmo batimento,
o poeta, sente
faz conversa com a água do ribeiro
que se esvai sem destino
sem perceber o código
do mistério nuclear
encerrado na energia
estranha, inexplicável...

Tuesday, November 27, 2007

Pena essencial

O que escrevo fica
no branco do papel
onde olhei no vácuo o essencial.
E ao correr da pena
solto uma pena
de alma penada...
De uma só penada
solto esta pena
fico sem pena
de soltar ao correr da pena
a ideia essencial.
Sim fico sem mais uma pena
Que pena!...


Sunday, September 16, 2007

Olha o passarinho


(reposição)
Eu?
Eu não sei dizer adeus…
Eu quando vou não volto
Um dia disse adeus a um desamor
Deixei-o numa esquina
Fiquei-me com a dor
E não olhei para trás.
Não sei!
Não sou capaz
Porque obra que começo
Acabo...
Não sou de querer
E não querer
Sou de querer
De não parecer
Do autêntico e do franco
Não dou o flanco
Mesmo que fique branco
Só para agradar
Ou para sorrir no retrato
Sim, não creio que o sorriso
Fique natural
“olha o passarinho...”
Não sei dizer dizer adeus
Quando vou não volto
Vou, sigo, procuro
Outro caminho.

Tuesday, April 24, 2007

anti-autismo

Dizer por palavras
O que rói no pensamento
Não fazer segredos
Da ideia refugiada...
contando essa ideia
sem medo do garrote
ou receio da palmatória
contar a história, contar a ideia...
e, quantas vezes foi escuro
a escrita feita prelo
sem motivo
feita escrava
de tanto zelo, de tanto zelo...
e, assim, feita “autista”
ficou rouca , capada dos ouvidos;
mas, tudo mudou com afinco
naquela noite
de vinte e quatro
para vinte cinco...

Thursday, March 29, 2007

conto de cordel

Que fiz eu do papel?
Onde puz eu a pena?
Que pena!...
Guardei a folha ou esqueci
A caneta tambem perdi
E sem saber da caneta
Até pareço um maneta
Quando não sei do papel...
Que pena!...
Aquele escrito que se perdeu
Falhado já na memória
Ou aquele conto de cordel
Perdeu-se...
Tudo porque nem sequer me lembro
Onde puz o papel...